O Jeep Clube de Sorocaba anuncia na agenda, a trilha mais esperada do ano: Dias 4, 5, 6 e 7 de Setembro, “Trilha do 90”.
Pela
segunda vez o Torque Quatro irá rasgar o “NOVENTÃO”. Começa então os
preparativos, duas reuniões com os participantes para acertar os detalhes; a
programação, o rango, as peças sobresselentes, os cuidados que deveria ser
tomado no decorrer da trilha e também o preparo das viaturas. Para quem nunca
tinha ido tudo aquilo parecia um filme de terror ou drama. Os dias foram
passando, muita ansiedade e
finalmente chega o dia da saída. Todos os participantes com suas respectivas
viaturas se encontraram no mesmo bat
local (padaria Real).Opa, parece estar faltando alguém.Infelizmente o Daniel e
o Mauricio tiveram que abortar a viagem, pois sua viatura não ficou pronta a
tempo, fizeram falta, mas fazer o que, vamos lá.
Com
o comboio formado partimos as 04:30h rumo ao nosso destino: Raposo Tavares –
Rodo Anel – Regis Bittencourt, onde fizemos duas paradas, uma para o cafezinho
e outra para o ultimo abastecimento
das viaturas, então seguimos por um transito intenso, saímos
no KM 278, andamos alguns km
pela estrada de terra até a entrada da trilha, onde paramos para ligar as rodas
livre e foi anunciado pelo nosso acessor técnico
o “chefe”; “Pessoal vai começar a peguera”. Mal começa a trilha e acontece o
indesejado, a primeira
baixa, a viatura do Godofredo e Junior
- Troller quebrou a ponta de eixo dianteira .Como estava no começo eles
resolveram voltar, quem saiu bem nessa foi o Marcos e o Marcio Tonchi que tinham
esquecido seus colchões e gentilmente o Junior emprestou o dele. Andamos por
mais alguns minutos e como essa trilha não é moleza, la vem um subidão
muito liso, reparamos que a roda dianteira da engesa do Rodrigo não
estava acionando a tração, rapidamente desmontamos a roda livre e constatamos
que havia quebrado, sorte que o Rodrigo tinha levado uma zerada, fizemos a
substituição e continuamos nossa aventura.Passado algum tempo, veio a noticia
pelo radio, segunda baixa, Rodrigo e Beto - Engesa, quebrou o diferencial
dianteiro, e eles também resolveram
voltar, tiramos algumas coisas do carro e distribuímos nas três viaturas que
restavam, enquanto nos despedíamos, um grupo de
jipeiros de Campinas apareceu,
eles também tinham programado para rasgar o “Noventão”.
Fizemos
o social e demos seqüência em nossa aventura,nesse momento
passou pela minha cabeça “Estamos ferrados”, mal começou e já tínhamos
duas baixas e para ajudar vem o comentário do chefe, “Até
agora foi passeio, a peguera nos espera”, continuamos pela trilha
encontrando muitas dificuldades , atoleiros, subidas lisa
com enormes facões e para ajudar muita arvore caída , haja saúde e
disposição, ufa já tava cansado, não via a hora de chegar no acampamento
para dar aquela relaxada e tomar aquela gelada.
Pois bem chegamos no local do primeiro acampamento, montamos as barracas e a cozinha e começamos a fazer o rango, arroz – costelinha e frango, muito bom, sem contar as risadas e para fechar a noite com chave de ouro um dos nossos, cozinheiros o Marcos Tonchi, tomou um mega tombo, e por mais incrível que pareça, quem quase morreu foi o outro cozinheiro Marcio Tonchi, de tanto rir.
Acordamos
bem de manhazinha, com aquela chuvinha para ajudar, tomamos
café, desmontamos o
acampamento e partimos para o segundo dia de trilha ou melhor tentamos
partir, a viatura do Érick não quis acordar, rapidamente nossos mecânicos de
plantão começaram a procurar o que
poderia ter ocorrido, começou por combustível, cabos de vela, tampa do
distribuidor, platinado e finalmente o rotor, que para nossa sorte tínhamos
levado um, só tínhamos um problema era do motor do Opala, então os mecânicos
fizeram uma adaptação técnica vulga, “gambiarra” e finalmente o carro
pegou, com isso tínhamos um atraso de mais ou menos 2 horas.
Saímos para o segundo dia de trilha, e como já era esperado seria bem mais pesado que o primeiro dia, mas com muita dedicação e empenho do grupo conseguimos chegar no final da tarde para o nosso segundo acampamento, até aqui tudo como planejado.Novamente montamos as barracas, a cozinha e os cozinheiros começaram a preparar o rango; salada, macarrão com frango e molho vermelho. Enquanto não ficava pronto comemos algumas porções de calabresa e demos boas gargalhadas até sair o rango, e claro, tudo isso acompanhado de uma chuvinha, para ficar mais emocionante, alem da temperatura despencando. Foi só sair o rango, encher a barriguinha para bater aquele super cansaço.Todos foram dormir cedo, pois o terceiro dia estava para vir e segundo o chefe era o pior dia, sábio chefe ele tinha toda razão....
Acordamos
bem cedo,desmontamos tudo e partimos para o nosso terceiro
dia, e para começar bem, você dava partida no carro e se jogava dentro do rio,
foi bom para espantar o frio porque quando você saia do outro lado é claro,
depois de muito guincho você já estava com a adrenalina lá em cima e com
muito calor, só dava a turminha tirando as jaquetas
O
terceiro dia foi daqueles, muitas dificuldades, lameiros com enormes facões
onde demandava muita dedicação de todos, pois era guincho seguido de guincho,
mais um rio para atravessar, um super barranco para descer, e um pior para subir
e segundo o chefe o pior estava por vir, uma super descida acompanhada de
enormes erosões, o bicho pegou nas erosões, por pouco não vi o mundo de cabeça
para baixo, tive o prazer de ver a 90 graus, coisa de louco, depois que passou
foi bom, passado as erosões de descida tinham algumas de subida, até chegarmos
onde o grupo de Campinas estava fazendo um churrasquinho. Paramos para nos
despedir e fazer um lanchinho, pois já era
noite e tínhamos passado um dia daqueles. Era só mais alguns Km e
rapidinho estaríamos de volta na
Regis, engano nosso, quando o chefe foi passar sob uma ponte, um dos troncos de
sustentação não agüentou o peso e rompeu, rapidamente amarramos o guincho e
puxamos o carro para traz, e assim
que conseguimos fomos achar um tronco para refazer
a ponte, acompanhado de uma chuva, foi só refazer a ponte que a chuva deu trégua.
Bom, ponte refeita continuamos nossa
aventura com um pequeno detalhe, não tínhamos mais gasolina, meu carro estava
no cheiro e o do Erick já
tinha dado “pane seca”, que foi resolvido colocando quatro litros de
gasolina que foi doado do gerador de energia do pessoal de Campinas. Finalmente
as 21:35h conseguimos sair na Regis,então andamos mais alguns Km e o combustível
do carro do Erick acabou, só que para nossa sorte, dentro do posto. Finalmente
tínhamos conseguido terminar a trilha do “Noventa”, só faltava chegar em
casa.Abastecemos as viaturas, enchemos os pneus, demos aquele trato no para
brisa e seguimos até Miracatu onde
dormimos em um hotel.
Acordamos, dessa vez não muito cedo, e deixamos a linda Miracatu, sentido Sorocaba.Subimos a serra onde foi registrado o maior congestionamento já visto em toda sua existência, o Erick conseguiu encher a serra de veículos, tava bonito de ver, finalmente chegamos em Piedade onde batemos aquele delicioso almoço no restaurante Picin. Barriguinha cheia, andamos mais um pouquinho e chegamos em nosso destino, sã e salvos graças a Deus.
Isso tudo só foi possível com muita união, respeito e conhecimento no off Road, onde esse grupo soube praticar até na pior hora dessa aventura que é por motivos de força maior, saber a hora de voltar,parabéns Godo, Junior, Rodrigo e Beto.Nós que seguimos sentimos muita a falta de vocês.Parabéns a todos.
Participantes
Nicoletti – Marcos Tonche – Jeep
Paulo Álvares – Marcio Tonche – Jeep
Eric – Rogério – Jeep
Rodrigo – Betão – Engesa
Godofredo – Junior – Troller
Daniel – Mauricio – Jeep
Texto – Paulo Álvares
Fotos: Eric, Rogério, Nicoletti
Atualização: Nicoletti