Quatorze
homens e um único destino – Adrenalina,
aventura, emoção. Assim, a bordo
de sete
máquinas os quatorze homens embarcaram
rumo ao desconhecido, pelo menos para a
maioria dos participantes, mas todos com
um único sentimento, aventura e superação
das dificuldades em um ambiente que apesar
de maravilhoso é extremamente cheio de
obstáculos, muitos dos quais intransponíveis.
Pois
bem, assim iniciamos a nossa jornada no
dia cinco de abril de 2008. O horário
marcado foi cumprido e estávamos todos no
posto de gasolina do Tivoli. Eram quatro
jeeps e três trollers Na preparação
para o dia mais importante, acredito que
todos estavam ansiosos, eu pelo menos,
quase que não consegui pregar o olho a
noite inteira, afinal, o meu jeep demorou
um tempo enorme para ficar pronto e ele
finalmente estava pronto, lindo, todo
equipado e eu estava orgulhoso do
resultado. Assim, que chegamos,
eu e o
Emerson, fomos abastecer e não é que o
nosso amigo frentista achou que era movido
a diesel e encheu o tanque e o galão. Com
a ajuda do Tombo, esvaziamos o tanque e o
galão e tratamos de colocar gasolina.
Assim, o primeiro obstáculo já estava
superado. Após breve reunião ficamos
conhecendo os nossos amigos de Cerquilho,
quatro aventureiros, em dois veículos, um
Jeep e um Troller. Rumamos para Tapiraí
em comboio com o Nicoletti à frente,
indicando os caminhos a serem percorridos.
Saímos
do asfalto e o coração começou a bater
mais forte, reduzimos a calibragem dos
pneus e seguimos até o local onde iniciaríamos
a trilha, que fica em propriedade
particular. Na portaria encontramos um
senhor com barbas enormes, muito calmo e
atencioso que franqueou a nossa entrada e
seguimos. No momento que ouvimos pelo rádio
o comando do Nicoletti “rapaziada vamos
acionar a tração e a reduzida para começar
a transpor os obstáculos”, tivemos a
certeza – Começou.
Começou
muito mais do que a trilha propriamente
dita, começou sim o entrosamento entre
todos aqueles homens, que muita das vezes
sujos de barro até o....., molhados e
etc., que puderam mostrar a solidariedade
a camaradagem e principalmente o espírito
aventureiro. Os obstáculos foram surgindo
e em seguida iam sendo superados. Eram
descidas e subidas íngremes, com erosões,
facões e na maioria das vezes bastante
estreitas e sempre de um dos lados havia
um precipício. Muitas árvores, mata
fechada mesmo e pudemos constatar que já
fazia muito tempo que nenhum jeep passava
por aqueles lados, de sorte que era necessário
que cada metro que seguíamos à frente,
precisássemos providenciar a limpeza,
retirando galhos e até árvores inteiras
que estavam atravessadas no caminho, nada
que não pudesse ser resolvido pelo
machado, habilmente manuseado pelo Tonche,
pelo Márcio e pelo Tombo e Nicoletti.
Por
volta das 16:00 horas chegamos ao local do
acampamento e todos providenciaram a armação
das barracas, bem como da lona que foi arm
ada para o churrasco, feito pelos
companheiros Tonche e Márcio. Depois do
churrasco, ficamos todos sentados e
ouvindo as “conversas”
do Godofredo – Demais, sem ele não
haveria graça, pois como iríamos rir a
valer depois de tanto trabalho duro? –
Pura descontração.
Depois
de uma confortante noite de sono,
levantamos o acampamento e reiniciamos a
trilha. Dificuldades ainda maiores
surgiram, principalmente com as quebras e
desta vez sem qualquer exceção, todos
quebraram, pelo menos alguma coisa, de
forma que ninguém pode se vangloriar que
voltou incólume. O primeiro a ter
problemas foi nosso amigo de Cerquilho, o
Rodolfo, após vencer um atoleiro o pneu
do seu troller quase saiu do aro.
Felizmente o Daniel tinha um cilindro de
hidrogênio e conseguimos consertar. O meu
jeep, apesar de todo o investimento e
preocupação, também apresentou
problemas no rádio, dificultando a
comunicação, falta de óleo no câmbio e
embreagem e, finalmente uma pancada que
dei em uma árvore, acho que entortei o
chassis. O jeep do Daniel furou o
radiador. O jeep do Neto de Cerquilho,
entortou a barra de direção. O jeep do
Nicoletti,
quebrou a ponta de eixo da tração
dianteira, de forma que ele cumpriu grande
parte da trilha somente no 4x2, e não fez
feio, ao contrário. O troller do Dr. André,
sem partida, e o do Godofredo, aquele que
ainda estava incólume, problemas no
guincho. Quebras à parte, e todos
resolvidos pelos mecânicos de plantão, Márcio,
Tonche e Tombo e também pelos demais
palpiteiros.
Em
razão das quebras e também de problemas
de comunicação ficamos em dois grupos e
entramos pela noite adentro. Finalmente,
chegamos ao ponto de saída, na casa
daquele senhor que já comentei e depois
de emprestar um pouco de gasolina do
Daniel, rumamos para Piedade até o posto
de gasolina e em seguida para casa, já
com aquela saudade das dificuldades que
havíamos vencido com tanta simplicidade e
felizes da vida, como se todos fossemos
crianças novamente, brincando de
carrinho.
Foram
dois dias, horas inesquecíveis de
aventura, de superação e de aprendizado,
pois nessa trilha aprendemos um pouco de
tudo, além das técnicas para vencer os
obstáculos, utilizando ou não os
guinchos, patescas, anilhas cintas, etc.,
também aulas de conhecimento de mecânica
e acima de tudo de convivência com o próximo,
o que certamente nos fez maior a aproximação
e a admiração de uns pelos outros.
Grande
responsabilidade, escrever aos colegas do
Torque 4, principalmente quando nós temos
o grande poder de síntese do nossos
amigos Roque e Quirino, que com grande
maestria nos relatam as aventuras.
Obrigado
pela oportunidade.
Participantes
Nicoletti
/ Tonche
- Jeep Ford
Daniel
/ Tumbo
- Jeep Willys
Pedro
Carvalho /
Emerson - Jeep Willys
Neto
/ Dedé
- Jeep Willys
Rodolfo
/ Sandro
- Troler
Andre
/
X-Neutro
-Troler
Godo
/
Marcio
-Troler