EXPEDIÇÃO JURUPARÁ

MAIO/2005        

                                                                           

Engraçado.

Sabe aqueles dias em que você tem a nítida impressão de que o seu dia não vai ser tão bom quanto deveria ser?

Pois é, foi exatamente isso que NÃO aconteceu neste final de semana.

Seis carros, doze homens (ou melhor, onze, o cunhado do Guilherme acabou não indo) e muita disposição. Este foi o grupo que partiu em busca de um pouco de diversão e aventura, nas serras do Parque Estadual do Jurupará, no triângulo compreendido entre os municípios de Piedade, Ibiúna e Juquitiba.

Partimos no Sábado, logo pela manhã para Piedade, onde abastecemos os tanques e galões reservas, compramos carne e carvão para o churrasco e ainda fizemos uma rápida manutenção no motor de arranque do Betão.

Pé na estrada e para alegria de todos, em alguns minutos, estávamos fora do asfalto.

Entramos pela Vila Elvio, paraíso fora-de-estrada para quem gosta de trilha pesada, e seguimos em direção a trilha do Renzo. Fizemos este trajeto uns quatro anos atrás e pelo visto, fomos os últimos a passar por lá. A mata estava muito fechada, com algumas árvores caídas, o que rendeu muito trabalho com machado. Muitos trechos exigiram várias manobras entre as árvores onde os carros mais largos tiveram muita dificuldade.

As chuvas dos últimos dias deixaram as subidas e descidas extremamente lisas e perigosas e em algumas situações, o uso do guincho foi simplesmente vital.

No final do dia, encontramos nosso mais difícil obstáculo: uma ponte caída. Fazer uma nova, seria impossível: o vão era muito grande.

Depois de avaliar a situação, resolvemos passar por dentro da água, onde o grande problema seria a altura do barranco do lado de lá e o piso extremamente argiloso.

Foram precisos dois guinchos usando patescas, numa obra de pura engenharia, para puxar para cima nossos carros, vencendo a lama e a enorme inclinação do barranco. É verdade que o jipe do Daniel ganhou alguns centímetros a mais, depois que ficou ancorado numa árvore ajudando a puxar todo mundo para cima. Quem sabe até o final do ano, com mais algumas tentativas ele vire um Bernardão...

Mais alguns kilometros à frente fizemos nosso pernoite. Acampamos num rancho abandonado, que nos abrigou do frio e da fina garoa. O Guilherme como sempre, caprichou no rango e ficamos batendo papo e dando boas risadas até a meia-noite (esse realmente é um dos melhores prazeres do

fora-de-estrada).

Nada como um sono restaurador para encarar mais um dia de puro ralo. Durante toda a madrugada, pôde-se ouvir o ronco ensurdecedor dos motores cansados, vindo do interior de algumas barracas.

De manhã, depois de um belo café da manhã, desmontamos o acampamento (sempre sem deixar qualquer tipo de sujeira) e partimos para a segunda parte da trilha. Se no dia anterior encaramos várias subidas lisas, seríamos agora presenteados com decidas repletas de enormes erosões, todas absurdamente escorregadias.

Mais uma vez a técnica e a cautela foram nossos guardiões e enfrentamos os obstáculos sem grandes complicações. O ponto alto sem dúvida nenhuma, foi a passagem pelo PlayCenter da região, onde um escorregador esperava ansiosamente nossa chegada. Um descidão de aproximadamente 70 metros, muito íngreme e liso e para complicar, com trilhos muito pouco marcados, o que aumentava muito o risco de atravessar na decida.

Primeira reduzida, pezinho esquerdo bem longe do freio, santinho no painel e lá vamos nóóóóóóóóóóóósss, despencando até o final da piramba.

Ufa! Depois dessa, tenho certeza que alguns de nós, ficarão um bom tempo com dificuldades intestinais.

Depois de sair numa estradinha de servidão, fizemos alguns trabalhos comunitários, como ajudar a trocar o pneu furado de uma Kombi e resgatar uma Saveiro, que insistia em “beber água” numa valeta na lateral da estrada.

Seguimos então até um boteco no bairro João Bova para comer alguma coisa.

Barriga cheia, bexiga vazia, partimos para a terceira e última etapa, onde mais erosões e atoleiros viriam pela frente.        

Este último trecho foi levantado recentemente, porém num dia ensolarado, mas agora a coisa estava bem mais feia. Algumas erosões gigantes que antes eram evitadas, passando-se ao lado, agora o piso liso tornava esse recurso simplesmente impraticável, devido a inclinação do terreno.

Sem alternativa, descemos por dentro das erosões, onde as estrelas do show, foram os navegadores orientando seus pilotos, as suspensões que trabalharam incansavelmente e os velhos e bons estribos, escudeiros fiéis das laterais e inimigos mortais dos funileiros...

No final, a poucos metros do término da trilha, uma última surpresa. Moradores da região abriram uma enorme valeta para o escoamento de água. Nada que um pouco de suor e muito enxadão não resolvesse o problema.

Terminamos a festa com uma sessão de fotos na capelinha abandonada e depois retornamos a Ibiúna para reabastecer e calibrar os pneus de nossas vitoriosas viaturas, que desta vez foram mecanicamente impecáveis.  

Felizes e satisfeitos, retornamos a Sorocaba com o maior troféu que

o fora-de-estrada pode nos dar:

a certeza de que somos seres humanos privilegiados, por ter a chance de estar com amigos de verdade, onde quase ninguém pode chegar. 

É por isso que eu sempre digo: 

Engraçado.

Sabe aqueles dias em que você tem a nítida impressão de que o seu dia não vai ser tão bom quanto deveria ser? 

Pois é, às vezes agente se engana... 

Até a próxima! 

Quirino. 

 

FICHA TÉCNICA   

PARTICIPANTES

CARRO 1 – NICOLETTI / MANO (JEEP FORD)

CARRO 2 - DANIEL / TOMBÔ (JEEP WILLYS)

CARRO 3 – ARANHA / JÚNIOR (ENGESA)

CARRO 4 – BETO / MARCOS (ENGESA)

CARRO 5 – GUILHERME (JPX)

CARRO 6 – QUIRINO / ALAN (ENGESA)

 

REGIÃO

PARQUE ESTADUAL DO JURUPARÁ

(MUNICÍPIOS DE PIEDADE, IBIÚNA E JUQUITIBA)

 

NÍVEL DE DIFICULDADE

ALTO - COM PREDOMINÂNCIA DE SUBIDAS E DESCIDAS ÍNGREMES, ATOLEIROS E EROSÕES CABELUDAS

UTILIZAÇÃO DE GUINCHO – INDISPENSÁVEL

 

RELEVO E VEGETAÇÃO

REGIÃO SERRANA COM PREDOMINÂNCIA DE MATA ATLÂNTICA

 

ALTITUDE MÁXIMA ALCANÇADA

1052 - METROS

 

KILOMETRAGEM PERCORRIDA

TOTAL – 222 Km

OFF ROAD – 87 Km    

STOPPED TIME  

13:39 HORAS

MOVING TIME

09:33 HORAS